
U.B.E.
-PE - NÚCLEO PALMARES
SÓCIO FUNDADOR:
Dilson Siqueira de Assunção

Médico do Serviço Público Estadual de Pernambuco
O Mel Amargo ( APOCALIPSE SILENCIOSO DE UM POVO )
A cana, sinal de poder, sinal de servidão A cana, símbolo de opulência, símbolo de solidão A cana, estilo de viver que suga os homens até morrer A cana, que esconde amores rústicos, sem pudores A cana, que mostra uma realidade Concretizada na mais brutal falta de liberdade. A cana, que é semeada no fértil terreno da pobreza É regada com sangue de tantos camponeses, Mas que vileza! Cresce e se veste tal qual os lírios de Salomão, Queimada e cortada para que não reste nenhuma ilusão No nosso coração. A cana, que concentra rendas, Distribui miséria, Contribui com a doença, Acorrenta-nos a seus grilhões, Esfomeia milhões, Também é símbolo de amor, Porque cria heróis, que sempre vi, Volta, libertador - Cristo Zumbí, Cana-de-açúcar Que chupa, enluta, Usurpa meu peito Meus elementares direitos, direitos de viver Com seus rudimentares preceitos, de nada conceber.
- Poema dedicado ao Sindicalista José Hélio e a todos os combatentes mortos pela Reforma Agrária. |
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MAIS POESIA DE DILSON ASSUNÇÃO, COM FINO TRATO GRÁFICO: http://www.vilgata.com.br/0774_guerrafria.htm |